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sexta-feira, 1 de junho de 2012

“O papel da Amnistia e de outras organizações é dar voz às pessoas que sofrem"

Grande Entrevista




Lucília José Justino, conhecida por Zé Justino, é Presidente da Amnistia Internacional Portugal. garante que “a violação de Direitos Humanos em Portugal não se compara com o que se passa noutros países”. o lobby é a principal forma de actuação da Amnistia. A mais recente campanha consiste em fazer pressão junto das autoridades mundiais para que se acabe com as causas da pobreza. 

Qual a importância que a amnistia tem em Portugal?
A Amnistia tem a mesma importância que tem nos outros países. É reconhecida pelas instituições portuguesas e ouvida pelo Estado. É sempre solicitada para apoiar desenvolvimentos em matérias de direitos humanos. Em Portugal também é percepcionada como sendo um contributo para defender as vítimas em todo o mundo, não só as portuguesas. É uma grande organização credível, independente e muito séria. As pessoas em Portugal não confundem a Amnistia com outras Organizações Não Governamentais.
 Como é que é o relacionamento com o Estado?
Colaboramos com o Estado seja qual for o Governo. Pedem-nos muitas vezes apoio para alguma legislação. Por exemplo, a legislação sobre o asilo teve parecer nosso. Para isso temos juristas que nos apoiam. Temos pessoas de vários sectores e somos solicitados para outras áreas, como a educação. O que nos importa é fazer lobby junto de qualquer Governo, seja ele qual for, porque somos independentes. Temos essas colaborações com o Estado, por exemplo com o Ministério da Administração Interna, sobre as questões das prisões, e com o Ministério da Justiça falamos sobre o estado das prisões. Quando temos denúncias, contactamos, somos recebidos, somos ouvidos, escrevemos e eles respondem-nos. A nossa 
grande arma e a nossa maior capacidade é o lobby e isso nós fazemos bem. 
Quais as actividades que a Amnistia promove?
A Amnistia tem actividades permanentes como a investigação, o lobby, o trabalho contra a pena de morte e outras campanhas mais específicas, como a violência contra as mulheres. Estas campanhas duram dois ou 
três anos. Fazemos esse trabalho e, apesar do esforço, pretendemos salvaguardar a independência. Fazemos muitas sessões e temos feito parcerias com outras organizações, principalmente com uma instância governamental que é a Comissão para a Igualdade de Género, que tem feito um trabalho muito bom no que respeita à violência no namoro. As pessoas confundem amor com amor assertivo. É preciso prevenir e falar sobre isso para que os jovens percebam que a agressividade no namoro não é amor coisa nenhuma, mas antes uma coisa horrorosa. Quando temos uma campanha específica em que sabemos que podemos ter parceiros noutras instâncias, nós trabalhamos com eles. Não reivindicamos para nós grandes feitos. Queremos juntamente com outras organizações fazer com que a violência contra as mulheres seja sobretudo sabida. O papel da Amnistia e de outras organizações é dar voz às pessoas que sofrem, seja no nosso 
país seja fora.
Considera que a Carta Universal dos Direitos Humanos está a ser cumprida?
A Declaração Universal tem hoje mais importância e reconhecimento do que há uns anos atrás. Fala-se
muito mais naquele documento, mas da teoria à prática vai uma grande distância. É um documento orientador, inovador  e fecundo. Fecundo porque ele próprio deu origem a ideias para Constituições nacionais. Há vários países que se inspiraram na Declaração Universal dos Direitos Humanos  para as suas próprias Constituições e a nossa é um exemplo. Mas sendo um documento que não era vinculativo na altura, foi um documento romântico, poético. Queríamos todos um mundo melhor, mas nem todos 
assinaram. Hoje em dia, os jovens falam muito na Declaração Universal. Existe uma parte que é muito pouco estudada que é o preâmbulo da Declaração. As pessoas sabem os trinta artigos, mas não reparam como é um texto de uma solidariedade mundial fantástico. Ela começa de uma maneira e acaba de outra. É um documento base e a partir desta Declaração surgem outros pactos que se tornam obrigatórios.
Qual a importância de falar sobre os Direitos Humanos?
Eu penso que o discurso genuíno dos Direitos Humanos será o discurso  salvador no mundo global. A globalização do discurso dos Direitos Humanos é que seria a grande globalização.  Falar de Direitos Humanos é desejar que a globalização seja uma globalização de Direitos Humanos e não só uma globalização em termos económicos ou outro tipo de globalização. (...)


Nota - Excerto da entrevista que fiz à presidente da amnistia internacional em Portugal para o jornal da escola e o resto da entrevista poderá ser lido aqui neste link http://webmanager.ipt.pt/mgallery/default.asp?obj=1553 nas páginas 4 e 5 

Grande Entrevista


“O cancro continua a ser um desafio” 

Nuno Sotto-Mayor

Paulo vasco, médico urologista, responsável pelo serviço de urologia do Centro Hospitalar do Médio tejo (CHMt), fala descontraidamente, no seu consultório, sobre a sua especialidade. Durante a conversa, percorre-se tudo o que está associado a essa especialidade, nomeadamente as doenças e o relacionamento entre os médicos e os pacientes. Aborda, também, a estrutura do CHMt, que está equipado com a última tecnologia para as intervenções cirúrgicas

Quais são as principais doenças no campo  da Urologia?
Todas as doenças do aparelho genital masculino e do aparelho urinário masculino e feminino. Começando nos rins e acabando na extremidade da uretra. São as doenças renais de foro cirúrgico, porque existe outra especialidade, que trata as doenças renais do foro médico, que é a nefrologia. Mas essa não tem directamente a ver connosco, embora colaboremos uns com os outros. No campo da Urologia existe uma
grande diversidade: a actividade das pedras dos rins, todas as doenças oncológicas (cancro do rim), os acidentes de viação com traumatismos do rim, as doenças dos testículos, os tumores dos testículos, as disfunções sexuais masculinas, a infertilidade.

Como é que as pessoas reagem ao facto de terem doenças deste foro?
As pessoas reagem um pouco tristes, porque ninguém gosta de estar doente. Quanto às doenças do aparelho urinário, o número de pacientes é crescente. Temos um grupo grande de doenças oncológicas, e por isso este tema foi escolhido para as Jornadas de Urologia deste ano. Cada vez se diagnosticam mais cedo, muitas pessoas têm a sua vida limitada com a doença oncológica. Nestes casos, apesar da
tristeza inicial, depois demonstram alguma vontade de vencer os obstáculos. Existem outras situações muito frequentes, por exemplo, nas mulheres, como a incontinência urinária, que é uma situação onde temos resultados muito positivos, melhorando prontamente a qualidade de vida das pacientes.  Hoje em dia as pessoas procuram-nos mais. Antes as mulheres não tinham bem a noção que tinham direitos nesse domínio e achavam que ter incontinência ou perdas de urina era muito normal da velhice. Mas não, a incontinência pode tratar-se, o que torna a vida das pacientes muito melhor. Também nos procuram para tratar pedras nos rins onde o sucesso não é menos elevado. Eventualmente, há situações mais problemáticas na nossa área como as doenças na sexualidade masculina, mas as pessoas procuram-nos tranquilamente.
Existem diferenças claras entre os homens e as mulheres no que diz respeito a estas patologias?
Sim. Em relação às patologias do aparelho urinário, não existem grandes diferenças, ou seja, as pessoas podem ter pedras nos rins, tumores, cancros dos rins ou da bexiga, o que acontece tanto nos homens como nas mulheres. Agora, no domínio da sexualidade, existem realmente grandes diferenças, mas nós só tratamos dos homens. Se bem que, quando tratamos o homem, também tratamos o casal.
Como é que se lida, em simultâneo, com as questões relacionadas com patologias no campo da Urologia e com a sexualidade?
A Urologia tem uma grande implicação, não só porque trata directamente da sua vertente chamada de andrologia, que trata da sexualidade masculina, que vai desde todas as disfunções sexuais masculinas até à infertilidade masculina. Por outro lado, a própria Urologia tem intervenções cirúrgicas (seja da bexiga, da próstata, e até do pénis) que estão implicadas com a sexualidade masculina. São situações que mexem com a imagem corporal dos homens e com uma série de outras questões. A intervenção do urologista, ou mesmo a intervenção cirúrgica, mesmo que não seja sobre sexualidade acaba por afectar órgãos que dizem respeito à sexualidade masculina.
No caso da andropausa, os homens aceitam as transformações no seu corpo?
Aceitam bem, no entanto o termo andropausa não é o termo exacto que nós usamos. A menopausa tem um significado que é um fim abrupto, súbito, marcado porque as mulheres deixam de menstruar num determinado mês ou num determinado dia e, então, entram na menopausa. No caso dos homens não há uma marca ou uma data possível de identificar como o declínio da sua estrutura hormonal e, então, chama-se Hipogonadismo Masculino Adquirido, que significa a baixa das gónadas. O que se passa é que os homens, a partir de uma certa altura, começam a ter uma baixa de produção das suas hormonas sexuais, principalmente da testosterona. Mas varia de homem para homem, a partir dos 50/55 anos. Hoje em dia, isso é conhecido e existem muitas formas de equilibrar e tratar. Daí que os homens, sobretudo de algum estrato cultural, nos procurem por causa dessas situações. Às vezes podem não estar directamente ligadas à vida sexual, mas facilmente se percebe que se trata da baixa de testosterona.
Como é que é e como é que deveria ser o relacionamento entre os especialistas em Urologia e os médicos de família? 
O relacionamento deve ser o mais aberto possível. É indispensável que haja uma colaboração muito grande entre os médicos de família, que são geralmente a porta de entrada das pessoas no sistema de saúde. As pessoas têm no seu local de residência um médico de família que os acompanha num ponto de vista global e quando detectam um problema urológico fazem uma primeira abordagem. Quando se considera que as possibilidades e capacidades estão esgotadas ao nível do médico de família, o paciente deverá ter acesso a uma consulta hospitalar de Urologia, onde o tratamento e a avaliação das pessoas possam ser contínuos. Uma vez cumprido esse objectivo, também deve ser possível que as pessoas voltem com mais facilidade a esse médico de família, para que haja uma continuação de tratamentos e um acompanhamento. Os dois devem estar em ligação mais ao menos permanente. (...)

Excerto de uma entrevista que fiz a um médico urologista para ser publicada no jornal da escola.  
Segue o link em baixo 
http://webmanager.ipt.pt/mgallery/default.asp?obj=1553


Uma escola especial para meninos especiais


O Hospital D. Estefânia, em Lisboa, tem para além dos seus serviços uma escola criada pelo Ministério da Educação. O objectivo é permitir que as crianças que ficam muito tempo internadas continuem a ter aulas. “Houve necessidade de criar uma escola no hospital, porque as crianças ficavam internadas por períodos longos, dando continuidade ao seu percurso escolar”, relata a professora Armanda Nunes, responsável por esta escola especial. 

A escola surgiu em 1926, funcionando numa sala do Serviço de Ortopedia. E o objectivo principal do hospital é tentar “minimizar tanto quanto possível a interrupção e disrupção da educação das crianças durante o internamento, através da disponibilização da educação contínua, tão normal quanto a condição clínica da criança o permita”. Por vezes, os tratamentos são muito desgastantes não permitindo à criança acompanhar o seu estudo de uma forma permanente, mas nem por isso deixa de ter esse apoio por parte do corpo docente. Quando a criança fica impossibilitada de se deslocar ao espaço da escola, “a professora dirige-se à enfermaria onde a criança está internada e com ela estabelece um plano de trabalho individual, de acordo com as suas necessidades curriculares ou utiliza os próprios manuais do aluno”. 

Convém realçar que esta escola entra em contacto com a professora oficial da criança internada, para obter informação sobre o nível escolar da criança. No que diz respeito ao corpo docente, é constituído por duas professoras do 1º Ciclo, existindo ainda um Núcleo Educativo de Apoio ao 2º/3º Ciclos e Secundário, formado por uma professora. “A escola funciona numa sala cedida pelo Hospital D. Estefânia e está equipada com mesas, cadeiras, algumas estantes, placards, um quadro Didax, seis computadores e três impressoras.” 

Existe uma turma única, formada por uma população bastante flutuante e heterogénea, com alunos provenientes do país inteiro e dos P.A.L.O.P, na sua grande maioria. Em média, frequentam esta escola especial 15 alunos. No que diz respeito aos encarregados de educação ou acompanhantes, a professora responsável explica que “prestam um apoio de retaguarda, no sentido de facultarem às docentes os contactos do professor ou da escola de origem do aluno”. Sendo uma escola oficial do Ministério da Educação, rege-se pela legislação em vigor para todas as escolas e, neste caso, obedece ao regimento interno do Agrupamento a que pertence (ver caixa de texto). 

Para além das actividades de componente lectiva e do cumprimento curricular, a escola elabora anualmente o seu Plano de Actividades e ajusta periodicamente as actividades à realidade hospitalar. Colabora ainda com o Grupo de Animação do Hospital e com todas as instituições da comunidade que se disponibilizam para organizar e desenvolver acções lúdico-pedagógicas com as crianças internadas. As crianças, mesmo estando dentro do Hospital Dona Estefânia, têm todo o apoio necessário para continuar mesmo com algumas interrupções por, força da natureza, para sonhar com um futuro.